Larian confirma que usa IA generativa em Divinity e vira alvo de críticas
A Larian Studios, estúdio consagrado após o sucesso absoluto de Baldur’s Gate 3, se viu no centro de uma polêmica nesta terça-feira (16). Conhecida por defender desenvolvedores, criatividade humana e por nadar contra tendências da indústria, a empresa perdeu parte de seu prestígio após confirmar o uso de inteligência artificial generativa no desenvolvimento de Divinity.
A revelação veio por meio de uma reportagem da Bloomberg, assinada pelo jornalista Jason Schreier, uma das vozes mais respeitadas do jornalismo de games. A confirmação reacendeu debates acalorados sobre ética, direitos autorais, impacto no trabalho criativo e o verdadeiro papel da IA no desenvolvimento de jogos.
O que a Larian realmente está fazendo com IA?
Na entrevista, o CEO da Larian, Swen Vincke, afirmou ser um dos maiores defensores do uso da IA como ferramenta auxiliar. Segundo ele, a tecnologia não trouxe ganhos expressivos de produtividade e chegou a gerar conflitos internos com alguns desenvolvedores.
Ainda assim, Vincke garante que hoje o estúdio estaria confortável com a forma como a IA é utilizada. De acordo com o executivo, os elementos centrais de Divinity continuam sendo 100% humanos, incluindo:
- Roteiros principais
- Vozes e dublagens
- Design narrativo
A IA generativa, segundo a Larian, é usada apenas em etapas consideradas auxiliares, como:
- Criação de apresentações em PowerPoint
- Exploração inicial de artes conceituais
- Textos temporários usados como placeholders
Mesmo com esse discurso mais contido, a reação da comunidade foi imediata — e majoritariamente negativa.
Reação explosiva da comunidade e acusações éticas
Logo após a publicação da reportagem, os perfis oficiais da Larian foram inundados por críticas nas redes sociais. Muitos jogadores afirmaram que, apesar de admirarem Baldur’s Gate 3, não pretendem mais apoiar um estúdio que utiliza IA generativa.
O principal argumento gira em torno da acusação de que ferramentas de IA são treinadas com obras de artistas reais sem consentimento, o que muitos consideram uma forma indireta de exploração ou “roubo criativo”.
Para parte da comunidade, o simples uso da tecnologia já contradiz o discurso histórico da Larian de valorização do trabalho humano e artístico.
Problemas antigos voltam à tona: contratações e testes abusivos
A polêmica com IA acabou abrindo espaço para que desenvolvedores e roteiristas começassem a relatar experiências negativas com os processos seletivos da Larian.
A empresa já era conhecida por processos longos, confusos e, segundo relatos, pouco transparentes. Alguns profissionais afirmam que foram obrigados a produzir textos e roteiros completos gratuitamente, sem qualquer garantia de retorno.
Um dos relatos mais compartilhados veio do usuário @staroverlord, na rede BlueSky:
“Fui obrigado a fazer o teste duas vezes. Em uma delas, recebi o feedback de que ‘não era Larian o suficiente e isso não pode ser ensinado’. Quando tentei novamente, avancei, reescrevi tudo com base no feedback e depois fui simplesmente ignorado. Nem startups suspeitas me trataram desse jeito.”
Esses depoimentos reforçaram a percepção de que, apesar da imagem pública positiva, o estúdio enfrenta problemas estruturais internos.
Por que isso incomoda ainda mais?
A decisão da Larian de utilizar IA acontece em um momento no qual o estúdio é financeiramente saudável, impulsionado pelo sucesso comercial e crítico de Baldur’s Gate 3.
Isso levanta uma pergunta incômoda para muitos profissionais da indústria: por que recorrer à IA em vez de contratar mais artistas, roteiristas e designers?
A contradição se torna ainda mais evidente quando Vincke afirma publicamente que suas equipes precisam de tempo, liberdade criativa e espaço para errar — ao mesmo tempo em que adota ferramentas automatizadas para acelerar partes do processo.
Comparativo rápido: uso de IA em estúdios de games
| Estúdio | Uso de IA | Reação do público |
|---|---|---|
| Larian Studios | Auxiliar (textos temporários, conceitos) | Majoritariamente negativa |
| Ubisoft | Ferramentas internas e NPCs | Críticas moderadas |
| Estúdios indie | Produção total em alguns casos | Desconfiança e rejeição |
Pontos Fortes
Transparência ao admitir o uso de IA, manutenção da produção criativa principal feita por humanos e abertura para discutir publicamente o tema, algo que muitos estúdios ainda evitam.
Indicado Para
Leitores interessados em bastidores da indústria de games, debates sobre ética no uso de inteligência artificial, direitos autorais, mercado de trabalho criativo e o futuro do desenvolvimento de jogos.
Conclusão
A polêmica envolvendo a Larian Studios mostra que o debate sobre IA generativa na indústria de games está longe de ser resolvido. Mesmo usos considerados “limitados” ou “auxiliares” são suficientes para gerar desconfiança, especialmente quando partem de um estúdio que construiu sua reputação defendendo o fator humano.
Mais do que a tecnologia em si, o episódio evidencia um choque de valores entre eficiência, criatividade e ética. A forma como a Larian lidará com essa crise pode influenciar não apenas o futuro de Divinity, mas também a percepção pública sobre o uso de IA em grandes produções.
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