A recente campanha da Havaianas com a atriz Fernanda Torres rapidamente saiu do campo da publicidade e entrou no centro de um intenso debate nas redes sociais. O motivo não foi apenas a escolha da atriz ou o tom da comunicação, mas sim a interpretação de que a propaganda teria um viés político associado à direita. A repercussão foi imediata e dividiu opiniões, levantando uma pergunta central: até que ponto marcas podem — ou devem — assumir posicionamentos políticos em suas campanhas?
Neste post, vamos analisar o caso com calma, linguagem simples e direta, para entender o que aconteceu, por que gerou tanta polêmica e quais reflexões esse episódio traz para o marketing, a cultura e o consumo no Brasil.
O que aconteceu na campanha da Havaianas?
A Havaianas lançou uma nova campanha publicitária estrelada por Fernanda Torres, atriz consagrada e conhecida por sua postura crítica, irônica e muitas vezes associada a debates sociais e culturais. No vídeo e nos materiais promocionais, o tom escolhido foi mais sóbrio, com uma estética que remete a valores como tradição, identidade nacional e orgulho cultural.
Para muitos espectadores, esses elementos pareceram apenas uma tentativa da marca de se reconectar com sua origem brasileira. No entanto, para outra parcela do público, a campanha passou a impressão de dialogar com discursos mais próximos da direita, especialmente por evitar pautas progressistas que costumam estar presentes em campanhas recentes de grandes marcas.
Essa leitura não foi oficializada nem confirmada pela Havaianas, mas ganhou força nas redes sociais, onde interpretações simbólicas costumam ter tanto peso quanto declarações explícitas.
Por que Fernanda Torres virou o centro da polêmica?
Fernanda Torres é uma figura pública com histórico de opiniões fortes e participação ativa em debates culturais. Justamente por isso, sua presença em uma campanha considerada “neutra demais” ou até “conservadora” surpreendeu parte do público.
Para alguns, a escolha da atriz foi estratégica: alguém respeitada, intelectual e capaz de dialogar com um público mais maduro e crítico. Para outros, foi vista como uma tentativa de legitimar uma mensagem ideológica sem torná-la explícita.
A polêmica não gira apenas em torno do que foi dito, mas principalmente do que não foi dito. Em tempos em que marcas costumam assumir posições claras sobre diversidade, inclusão e temas sociais, o silêncio também comunica.
Existe mesmo um viés político na propaganda?
Aqui está o ponto mais delicado do debate. Tecnicamente, a campanha não faz menção direta a partidos, políticos ou pautas ideológicas. No entanto, o marketing moderno funciona muito mais por símbolos, escolhas visuais e tom de discurso do que por mensagens diretas.
Ao apostar em uma narrativa mais tradicional, menos ativista e focada em identidade nacional clássica, a campanha acabou sendo interpretada como alinhada a valores mais conservadores. Isso foi suficiente para que parte do público associasse a comunicação a um viés de direita.
É importante destacar que essa leitura depende muito do contexto social atual. Em um ambiente polarizado, qualquer escolha estética ou discursiva pode ser rapidamente politizada.
Marcas devem assumir posicionamento político?
Esse caso reacende um debate antigo, mas cada vez mais atual: marcas devem se posicionar politicamente ou manter neutralidade?
Nos últimos anos, vimos diversas empresas adotando discursos progressistas, principalmente em datas simbólicas. Isso criou uma expectativa no público de que grandes marcas “tomem partido”. Quando isso não acontece, o estranhamento surge.
No caso da Havaianas, a tentativa de retornar a uma comunicação mais ampla e menos segmentada pode ter sido interpretada como uma guinada ideológica, mesmo que a intenção fosse apenas comercial.
Impacto da polêmica para a marca
Do ponto de vista de visibilidade, a polêmica funcionou. A campanha foi amplamente comentada, compartilhada e discutida. No marketing, isso se traduz em alcance orgânico e relevância.
Por outro lado, existe o risco de desgaste de imagem. Consumidores que esperavam uma postura mais alinhada a determinadas pautas podem se sentir afastados. Em contrapartida, outros podem se aproximar justamente por enxergar a marca como menos militante.
Esse equilíbrio é delicado e mostra como o branding, hoje, está profundamente ligado a valores percebidos, não apenas a produtos.
Ideias para debate que surgem com o caso
- Neutralidade ainda é possível no marketing atual?
- O silêncio de uma marca pode ser interpretado como posicionamento político?
- Até que ponto o público projeta suas próprias ideologias nas campanhas?
- Celebridades devem ser responsabilizadas pela leitura política de campanhas?
- Marcas populares correm mais riscos ao entrar em debates ideológicos?
O que esse episódio revela sobre o consumidor brasileiro?
A reação à campanha da Havaianas mostra que o consumidor brasileiro está cada vez mais atento, crítico e politizado. Não se consome apenas um produto, mas também a mensagem, o contexto e os valores associados a ele.
Isso não significa que toda campanha precise levantar bandeiras, mas sim que qualquer comunicação será analisada sob múltiplos filtros. O marketing deixou de ser apenas persuasão e passou a ser também interpretação.
Conclusão
A polêmica envolvendo Havaianas e Fernanda Torres vai além de uma simples campanha publicitária. Ela reflete o momento social do país, a polarização política e a expectativa crescente de que marcas assumam papéis que antes eram exclusivos de figuras públicas e instituições.
Se houve ou não um viés político intencional, talvez nunca fique claro. O que fica evidente é que, hoje, toda comunicação carrega significado — e o público está mais disposto do que nunca a debater esses significados.
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